Maria Bethânia no palco da casa Vivo Rio em 17 de janeiro, primeiro dos dois dias de gravação ao vivo do show comemorativo dos 60 anos de carreira da cantora — Foto: Rodrigo Goffredo
♫ CONSIDERAÇÕES SOBRE O ÁLBUM DE MARIA BETHÂNIA
♬ Registro ao vivo do show comemorativo das seis décadas da trajetória de Maria Bethânia na música do Brasil, o álbum “60 anos de carreira” foi lançado ontem, sexta-feira, 6 de novembro com 46 músicas e textos encadeados em 38 faixas. A gravação ao vivo foi feita em duas apresentações da turnê na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 17 e 18 de janeiro, na casa Vivo Rio. A apresentação do dia 18 foi feita com o público na pista, potencializando o calor da plateia.
♫ “60 anos de carreira” é o primeiro álbum de Maria Bethânia em cinco anos, sucedendo “Noturno” (2021) na discografia de álbuns da cantora. Nunca Bethânia ficou tanto tempo sem lançar um álbum desde que iniciou a carreira fonográfica em 1965. Com o já assumido desinteresse imediato da artista por gravar álbum de estúdio, em razão das mutações do mercado fonográfico, a tendência é que os próximos lançamentos da cantora sejam singles avulsos.
♬ Se o álbum “Noturno” teve capa aquém da importância do disco, o álbum “60 anos de carreira” traz capa à altura do histórico de Maria Bethânia. A capa expõe a pintura “A descida do Corcovado ou Ogum”, apresentada em 1972 pelo artista plástico paulistano Flávio Império (1935 – 1985), cenógrafo de emblemáticos shows da artista nos anos 1970 e 1980. Ainda que paire sensação de déjà vu, já que a obra foi utilizada na capa do single “Vera Cruz” (2016), editado em janeiro, a capa do álbum “60 anos de carreira” é bonita, expressiva, dialoga com o show e tende a crescer em futura e provável (mas ainda não confirmada) edição em LP do álbum. Um LP que precisará ser duplo ou talvez até triplo para incluir todo o conteúdo do álbum, cuja duração é de 83 minutos.
♫ Se a edição em LP é por ora somente uma possibilidade, em data ou ano incerto, a edição do álbum no formato físico de CD duplo é fato já confirmado pela gravadora Biscoito Fino. A previsão é a de que a edição de CD esteja disponível para compra no site da gravadora e nas lojas ainda neste ano de 2026.
♬ A captação do show resulta calorosa, evidenciando o mix de sopros e percussões que caracterizam a sonoridade quente do espetáculo. Pedro Guedes e Thiago Gomes assinam a produção musical. Já a voz de Bethânia soa extremamente fiel ao canto ouvido no palco. Se houve retoques da voz de estúdio, prática recorrente na pós-produção de registros audiovisuais de shows, foram poucos e bem sutis.
♫ Na estreia nacional da turnê no Rio de Janeiro (RJ), em 6 de setembro, o show “60 anos de carreira” apresentou no roteiro cinco músicas inéditas. Quatro – o samba à moda baiana “Balangandã” (Paulo Dáfilin e Roque Ferreira, 2025), a canção “Palavras de Rita” (Rita Lee e Roberto de Carvalho), o fado “Se não te vejo” (Pedro Abrunhosa) e o samba “Vera Cruz” (Xande de Pilares e Paulo César Pinheiro) – estão perpetuadas no álbum, com a ressalva de que o samba “Vera Cruz” já foi gravado por Bethânia em estúdio para single editado em 16 de janeiro. Infelizmente, a quinta música inédita, “Eu mais ela”, composição de Chico César, saiu do roteiro ao longo da turnê e sequer foi cantada nos dois dias da gravação do show.
♬ Até então inédita na voz de Maria Bethânia, a canção “Mares da Espanha” (1979) representou gesto de amor da cantora para Angela Ro Ro (1949 – 2025), compositora da música lançada no primeiro álbum da autora. Angela Ro Ro estava internada em estado grave quando Bethânia estreou o show e viria a falecer em 8 de setembro, dois dias após a estreia da turnê. O canto de “Mares da Espanha” e de “Gota de sangue” (1979) – outra música do antológico álbum de estreia de Ro Ro, mas esta já gravada por Bethânia no mesmo ano no álbum “Mel” (1979) – passou então a simbolizar homenagem póstuma da cantora à compositora que lhe deu a canção “Fogueira” (1983). Tributos à parte, “Mares da Espanha” sempre foi um dos momentos mais intensos do show “60 anos de carreira”.
♫ De tudo o que foi apresentado por Bethânia na gravação do show em 17 e 18 de janeiro, somente o texto “Eu não quero apenas ter visitado este mundo”, creditado a Dora Fischer Smith, ficou fora da edição do álbum “60 anos de carreira”. O texto era dito pela intérprete entre as músicas “A força que nunca seca” (Chico César e Vanessa da Mata, 1999) e “Rosa dos ventos” (Chico Buarque, 1970).
♬ “Este álbum se passa numa só noite. Levou 60 anos para ser feito. É festa”, poetiza Eucanaã Ferraz na abertura de “Ter o coração daquilo”, texto em um ato escrito por Eucanaã para apresentar à mídia e aos formadores de opinião o álbum “60 anos de carreira”.
Capa do álbum '60 anos de carreira', de Maria Bethânia — Foto: Divulgação
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