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A música brasileira está melhor ou pior do que antes? A resposta da pergunta pode causar sério incômodo em você...

As cantoras Maria Bethânia (à esquerda) e Liniker são igualmente importantes para as respectivas gerações que se encantam com as artistas Guilherme Nobhan ...

A música brasileira está melhor ou pior do que antes? A resposta da pergunta pode causar sério incômodo em você...
A música brasileira está melhor ou pior do que antes? A resposta da pergunta pode causar sério incômodo em você... (Foto: Reprodução)

As cantoras Maria Bethânia (à esquerda) e Liniker são igualmente importantes para as respectivas gerações que se encantam com as artistas Guilherme Nobhan / Rony Hernandes / Montagem g1 ♫ ANÁLISE ♬ Volta e meia, alguém sentencia que a música brasileira de hoje é ruim porque já não tem a riqueza melódica e a beleza poética de antes. E, sempre que essa discussão vem à tona, os argumentos são passionais de ambos os lados. Contudo, sentenças definitivas sobre a qualidade da atual música brasileira geralmente escondem arrogâncias e visões egocentradas. Mas, afinal, a música brasileira piorou ou melhorou? Ou está a mesma coisa de sempre? A resposta para essa pergunta muda de acordo com a geração de quem a responde e pode causar sério incômodo em quem não consegue entender que, como já disse Nelson Motta em verso da letra de bolero havaiano cantado por Lulu Santos, “tudo muda o tempo todo no mundo”. Tem sido assim na música do Brasil e não adianta fugir ou se refugiar na nostalgia da modernidade da própria juventude. Quem cresceu ao som da MPB de compositores como Caetano Veloso, Chico Buarque, Djavan, Edu Lobo, Francis Hime, Gilberto Gil, João Bosco e Milton Nascimento – entre outros gigantes da MPB dos anos 1960 e 1970 – tende a achar essa geração imbatível. É o caso deste colunista e crítico do g1. Eu acho mesmo. Até porque, ao lado destes grandes compositores, apareceram cantoras do porte de Clara Nunes (1942 – 1983), Elis Regina (1945 – 1982), Gal Costa (1945 – 2022), Maria Bethânia e Nana Caymmi (1941 – 2025). Nunca tivemos tantos compositores e tantos intérpretes de tão alto quilate na mesma geração. Até porque muitos destes compositores são também grandes intérpretes das respectivas obras. Quem cresceu com o canto dessas vozes inigualáveis da MPB provavelmente vai achar inexpressivo o canto de Anitta ou de Marina Sena, para citar somente dois exemplos de cantoras que arrastam multidões Brasil afora. A questão é que tudo é subjetivo. Quem cresceu ao som da voz de Anitta e de Marina Sena tem outro referencial, e esse referencial não é a MPB. Por isso é que não existe uma resposta certa para a pergunta sobre a melhora ou piora da música brasileira. Cada geração encontra a própria voz, a própria turma e, consequentemente, tem a própria resposta para a pergunta. E todas as respostas estão corretas. Como minimizar a emoção visível nos olhos de milhares de pessoas seduzidas pelo canto e pelo som de Liniker nos shows da cantora? Esse é o x da questão. Gerações se emocionam hoje nos shows de Liniker como gerações se emocionaram tempos atrás nos shows de Gal Costa. Assim como, em tempos mais antigos da era do rádio, outras gerações foram às lágrimas com as apresentações de Dalva de Oliveira (1917 – 1972) no auditório da Rádio Nacional. O novo sempre vem, já sinalizou Belchior (1946 – 2017) há 50 anos. E, se é equivocado sentenciar que o novo é melhor do que o antigo somente por ser novo, também é arrogante afirmar que o antigo é que era bom. Bom para quem? Padrões e referências mudam com o tempo. E a tendência é que cada um eleja a própria referência como a melhor. Há quem possa achar heresia, mas o fato é que, nos dias de hoje, o canto de Liniker é tão importante para milhões de ouvintes quanto o de Maria Bethânia foi e ainda é para outros milhões de ouvintes. E talvez haja até bem-vindas interseções entre os dois públicos porque é possível gostar de Liniker e de Bethânia ao mesmo tempo. Assim como é possível ouvir Os Garotin e, na sequência, dar o play em um álbum de Milton Nascimento. Ou organizar uma playlist com músicas de Criolo, João Bosco e Tim Bernardes. É tudo questão de gosto. E gosto até se discute, mas também se respeita, sem que uma geração queira minimizar o som e a preferência da outra.